Grupo Formação participa da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver em Brasília

O Grupo Formação esteve presente na 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras que aconteceu em Brasília (DF) no dia 25 de novembro. Diane Pereira Sousa, Wanessa Rafaelly, Regina Arcanjo e Bruna Cantanhêde compuseram a comitiva feminina potente de representantes.

A Marcha foi tomada por tambores, cantos e passos firmes de milhares de mulheres negras vindas de todos os cantos do país logo nas primeiras horas de concentração. O ato partiu do Museu Nacional da República e avançou até a Esplanada dos Ministérios: local que se transformou em um oceano de vozes contra a violência às mulheres, por reparação histórica e pelo bem viver. 

Eram mulheres quilombolas, rurais, ribeirinhas e urbanas, do campo e da cidade, intelectuais negras, escritoras e guardiãs de uma longa tradição de saberes e ações políticas no Brasil. Com cartazes erguidos pedindo o fim da violência doméstica, do feminicídio e defendendo um projeto de bem viver para mulheres negras e indígenas, elas avançavam juntas pela Esplanada, transformando a Marcha em um espaço de resistência, acolhimento e esperança.

Diversas lideranças organizacionais, comunitárias e políticas também compunham a Marcha. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, fez questão de reforçar que o Brasil só avançará se reconhecer sua pluralidade: “Não podemos admitir nenhum tipo de transfobia, nem desrespeito à nossa diversidade. Queremos dialogar e construir, em conjunto, políticas públicas para as mulheres negras desse país”. 

Já a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, lembrou a trajetória coletiva que tornou possível aquela ocupação da Esplanada. “Há 10 anos nós ocupávamos esses espaços porque sempre fomos organizadas. Hoje voltamos com Conceição Evaristo, Benedita da Silva, Sueli Carneiro e tanta gente linda para provar que sempre fomos organizadas e que estamos aqui pelo bem viver”.

Bruna Carolyna Cantanhêde Lopes, Superintendente do Instituto Comunitário Baixada Maranhense (ICBM), contou um pouco sobre a importância da participação:

“A Marcha das Mulheres Negras é um movimento coletivo que luta pela garantia da participação das mulheres negras nas decisões políticas do país. Este ano, o Instituto Comunitário Baixada Maranhense (ICBM), reconhecendo a importância das mulheres negras para a construção cotidiana dos nossos territórios na Baixada e no Maranhão inteiro, marchou em Brasília por reparação e a possibilidade de bem viver para as mulheres negras do nosso país”.

Ao todo, a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver reuniu 300 mil mulheres negras de mais de 40 países em Brasília (DF), durante uma jornada histórica de ocupação na capital federal. A programação articulou incidência institucional, mobilização popular, espiritualidade, cultura e celebração da vida, constituindo um dos atos mais significativos já realizados por mulheres negras no Brasil.

Semana por Reparação e Bem Viver: uma celebração política da força das mulheres negras

Desde o dia 20 de novembro, Brasília se transformou em território de encontros, trocas e imaginações políticas com a Semana por Reparação e Bem Viver. Construída por organizações, coletivos, comitês e lideranças que impulsionam a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, a semana reuniu dezenas de atividades abertas ao público: rodas de conversa, oficinas, feiras, apresentações artísticas, formações, intervenções culturais e encontros internacionais. Nossa comitiva esteve presente, participando das atividades e fortalecendo as discussões. 

A Semana funcionou como um grande aquilombamento preparatório para a Marcha do dia 25 de novembro, fortalecendo vínculos, alimentando afetos e aquecendo os debates que movem as lutas das mulheres negras no Brasil e no mundo. Em cada espaço, se afirmava os princípios do movimento: democracia com justiça racial, cuidado como estratégia política, ancestralidade como tecnologia de futuro e Reparação como horizonte inegociável.

Entre os dias 22 e 24, aconteceram os Diálogos Globais por Reparação e Bem Viver, reunindo mulheres negras da África, das Américas e da Europa em conversas sobre democracia, justiça climática, enfrentamento às violências, economia do cuidado, espiritualidade, segurança pública e vida digna. Os Diálogos reforçam a dimensão transnacional da Marcha, que ecoa lutas e sonhos de mulheres negras de mais de 40 países.

A programação também acolheu atividades que refletem a diversidade do movimento de mulheres negras, celebrando juventudes, saberes tradicionais, espiritualidade, cultura LGBTQIA+ negra, economia criativa, artes, territórios e tecnologias ancestrais. Entre os destaques esteve o Ball “1 Milhão de FQs Negras: A Revolução das Bonecas”, que aproxima a Cultura Ballroom da Marcha, afirmando que o Bem Viver só existe onde todas as existências negras são reconhecidas, protegidas e celebradas.

Ao longo de toda a semana, Brasília pulsou com mais de 50 atividades dedicadas a fortalecer as lutas por equidade, democracia, justiça climática, enfrentamento ao racismo religioso, direito ao território, justiça reprodutiva, vida sem violência e futuro para a juventude negra. Um convite para sonhar juntas, criar juntas e seguir juntas rumo à Reparação e ao Bem Viver.

Sobre a Movimento de Mulheres Negras no Brasil

A luta das mulheres negras por direitos é antiga, coletiva e contínua. Desde os tempos de escravização, elas têm sido líderes das revoltas, fundadoras de quilombos e defensoras da liberdade.

Em 2015, durante a 1ª Marcha Nacional,  mais de 100 mil mulheres negras do Brasil marcharam contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver – um processo histórico que impactou e definiu os rumos da organização política das mulheres negras no Brasil e na América Latina. Quase dez anos depois, juntas a muitas que estão ao redor do mundo, foi convocado a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, a 2ª Marcha Nacional (de caráter internacional) das Mulheres Negras. 

No dia 25 de novembro de 2025, elas marcharam novamente, carregando o legado das que vieram antes e projetando um futuro onde a Reparação e o Bem Viver possa ser uma realidade para todas, todos e todes.

300 mil mulheres negras de todo o mundo marcharam em Brasília