Beneficiários do projeto “Escola de Mediação: Ampliando Saberes no Componente Educação Física” marcaram presença na 14° edição do Festival PSICA em Belém (PA). Realizado de 12 a 14 de dezembro, o festival aconteceu em dois locais: no centro histórico da Cidade Velha e no Estádio do Mangueirão – ambos territórios vivos da cultura amazônida.
Participaram dessa experiência Deiziane, mãe do Sael; Beatriz, mãe da Wemelly; e os profissionais do projeto David Leonardo e Renato Barbosa Silva, vivenciando de perto uma das maiores celebrações culturais do calendário brasileiro. Sael e Wemelly são alunos da EMEIF Santana do Aurá.
O profissional David Leonardo falou sobre a importância de participar de um evento tão relevante como o PSICA. Para ele, foi uma oportunidade única fazer parte desse momento histórico cultural junto às famílias beneficiárias do projeto e demais profissionais em Belém do Pará.
Beatriz do Amaral (mãe da aluna Wemelly) contou um pouco sobre a experiência de vivenciar o festival e mencionou que no ano passado esteve presente trabalhando mas que agora retorna como participante convidada:
“O Festival Psica é um grande evento que vem valorizando os nossos artistas locais, nacionais e internacionais. Para mim, foi uma grande graça ser contemplada junto com a minha filha, participando como convidadas especiais. Estamos hoje aqui, presentes, curtindo. Ano passado eu trabalhei, mas hoje estou aqui vivendo esse momento junto com ela!”.
A participação no evento possibilitou contato direto com expressões artísticas que reforçam identidade, diversidade e representatividade. O festival PSICA se reafirmou como um importante movimento cultural e social da região, promovendo visibilidade a artistas locais e nacionais, fortalecendo a economia criativa e o protagonismo amazônida. Destaques como Dona Onete, símbolo vivo da ancestralidade amazônica, e Urias, com o impactante lançamento do álbum Carranca, evidenciaram a cultura como instrumento de pertencimento, inclusão e transformação social.
Além dos grandes shows, o festival se destacou pela valorização de artistas pretos, periféricos e amazônidas, reunindo diferentes estilos musicais como rap, reggae, tecnobrega, carimbó e música popular brasileira, em um ambiente diverso, animado e de grande importância cultural para a região Norte.
Lindemberg Barros de França Filho, Coordenador de Agenda do Projeto Escola de Mediação, compartilhou um pouco sobre a diversidade cultural sob a perspectiva educacional que envolvem ações como essas:
“O Projeto Escola de Mediação foi convidado a participar do Festival Psica pela Petrobrás, o que gerou a possibilidade de contemplar Profissionais, Parceiros e Beneficiários. Esse evento foi um marco para aqueles que participaram e reforça ainda mais aquilo que o Projeto tem como a principal ideia, que é levar a oportunidade e fortalecer vínculos entre as escolas, famílias e equipe. A pluralidade de atrações nacionalmente conhecidas nesse evento, valoriza ainda mais a cultura local e a oferta de entendimento sobre o que o Brasil tem como raízes de ritmos, vozes e emoções”.
Cultura como experiência formativa e educativa
A participação no Festival Psica integra a metodologia do projeto Escola de Mediação ao compreender a cultura como dimensão essencial dentro do processo educativo. Ao vivenciar um evento de grande porte, crianças, adolescentes e jovens ampliam seus repertórios simbólicos, fortalecem vínculos identitários e desenvolvem novas formas de leitura do mundo a partir da arte, da música e da ocupação dos espaços públicos.
Para além do acesso ao espetáculo, a experiência também contribui para o fortalecimento dos laços familiares, ao possibilitar que mães e responsáveis compartilhem vivências culturais junto aos seus filhos. Esse envolvimento amplia o impacto das ações do projeto, reconhecendo a família como parte fundamental dos processos de formação, aprendizagem e desenvolvimento integral dos participantes.
Escola de Mediação em Belém: território, pertencimento e direitos
A atuação do Escola de Mediação em Belém do Pará tem como eixo central o reconhecimento dos territórios como espaços educativos e criativos. A participação no PSICA reforça essa perspectiva ao conectar o esporte educacional, a cultura e a cidadania, ampliando o acesso de crianças, adolescentes e jovens a experiências que historicamente lhes foram negadas.
Ao circular por espaços simbólicos da cidade, como a Cidade Velha e o Mangueirão, os beneficiários do projeto exercitam o direito à cidade, ao lazer e à cultura, elementos fundamentais para a formação crítica, o fortalecimento da autoestima e o sentimento de pertencimento ao território amazônida.
Sobre o Festival
O Festival Psica é um dos maiores festivais independentes do país e o principal palco da música amazônica em diálogo com o Brasil e o mundo. A 14° edição entrou para a história como a maior já realizada pelo festival, reunindo um público de 110 mil pessoas ao longo dos três dias de programação. Realizado entre os dias 12 e 14 de dezembro, em Belém, o evento foi histórico não apenas pelo crescimento — 25% a mais na venda de ingressos em relação ao ano anterior —, mas também pelo reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial de Belém do Pará.
Com mais de 70 atrações nacionais e internacionais distribuídas entre o centro histórico da Cidade Velha e o Estádio do Mangueirão, o Psica reuniu artistas consagrados, nomes da cena contemporânea e expressões populares que ajudam a contar a história musical da Pan-Amazônia. Ao longo de três dias, o festival reafirmou seu conceito central: mostrar o Brasil a partir do Norte, com diversidade, protagonismo e pertencimento.
Com cerca de 3 mil pessoas envolvidas diretamente na produção, o Psica 2025 gerou emprego e renda a partir da economia criativa e reafirmou a cultura como eixo de desenvolvimento. O crescimento de público, a diversidade da programação e o reconhecimento como patrimônio cultural consolidam o festival como uma das experiências mais relevantes do calendário cultural brasileiro.
Sobre o projeto
O Projeto Escola de Mediação é realizado com recursos da Lei de Incentivo ao Esporte — Lei nº 11.438/2006 — do Governo Federal, por meio de renúncia fiscal do Imposto de Renda, com patrocínio da Petrobras, execução do Instituto Formação, e supervisão do Ministério do Esporte.
Além de Belém (PA), o Projeto Escola de Mediação também é desenvolvido em São Luís (MA) e em Oiapoque (AP).
Com essas ações e uma presença ativa nos territórios, o projeto reafirma o compromisso com a garantia de direitos de crianças e adolescentes dessas cidades das regiões Norte e Nordeste, promovendo uma atuação intersetorial e educativa que reconhece o corpo, o movimento e a brincadeira como partes essenciais do processo formativo.






