Primeira turma do Programa Maranhão Alfabetizado recebe cerimônia de Formatura no PAM

O Parque Agroecológico do Maracanã (PAM) foi palco de mais um momento histórico e cheio de realizações: a formatura da 1° turma do Programa Maranhão Alfabetizado. A cerimônia aconteceu nesta quinta-feira, dia 18 de dezembro, reunindo familiares dos alunos, professores, profissionais do Instituto Formação e comunidade local. 

Abimael Dutra Silva (57), Adelaide Aprígio dos Santos (39), Elcimere Costa Pires (53), Maria Helena Corrêa Nogueira (66), Maria de Jesus Valente Magalhães de Almeida (61), compuseram a turma agora formada e alfabetizada. Um misto de superação, emoção e realização neste ciclo que marca o ingresso de uma nova jornada de oportunidades para cada um deles.

Com duração de 6 meses, o programa – que acontece via projeto Voa Maracanã e é fruto de uma articulação com a Secretaria Estadual de Educação (SEDUC/MA), buscou ampliar o acesso à educação básica e oportunizar o retorno escolar de alunos da comunidade. O programa contou com uma equipe de professores especialistas em educação e monitores pedagógicos da Faculdade Formação Integrada (FFI)

Para Regina Cabral, Prof. Dra. em Educação e CEO do Instituto Formação, este foi um momento histórico e emocionante. Uma oportunidade de também memorar as vivências ao longo dessa trajetória de luta e legado em prol da alfabetização nacional:

“Esse momento foi realmente muito emocionante, porque na minha juventude, início da minha vida profissional, eu trabalhei muito com a educação de jovens e adultos. Em 1990, que foi o ano internacional da alfabetização, eu estava em Brasília discutindo o Plano Nacional de Alfabetização e Cidadania, lutando para que o Brasil alfabetizasse os brasileiros. É muito emocionante, porque eu estive dentro desse ambiente, alfabetizando, produzindo material, trabalhando com formação de professores, realizando eventos de educação que lutavam pela educação de jovens e adultos”. 

Dorgival Junior (Programa Maranhão Alfabetizado/GOV MA) esteve presente durante a cerimônia e também falou sobre a importância desse momento frente a democratização da educação básica no estado: 

“Aqui é um momento único. Nós estamos aqui no Instituto Formação, participando da formação de alunos do Maranhão Alfabetizado, e pra gente é uma alegria. Até porque todo o processo de formação de turma depende dessa parceria com líderes comunitários, ONGs, e o Instituto Formação foi um parceiro que desde o início acolheu o Maranhão Alfabetizado e o resultado está aqui. Os cinco alunos que iniciaram a turma, finalizaram, formaram, e isso pra gente é motivo de orgulho”.

Maria Helena, uma das alunas formadas, deu uma entrevista no início das aulas lá no mês de maio e falou sobre a felicidade de estar retomando os estudos, apesar da idade:

“Estou aqui no primeiro dia de aula, muito alegre em tá tendo essa oportunidade. Apesar da idade, a gente sempre quer aprender. E que venha muitas outras oportunidades, outros cursos, profissionalizar as pessoas que precisam”.

Suelen Pedrosa, graduanda em Pedagogia (FFI) e Monitora Pedagógica (Voa Maracanã) do Programa, falou de forma poética sobre a importância do Maranhão Alfabetizado. Uma de suas alunas (Maria de Jesus, mais conhecida como Dijé) foi sua maior inspiração ao longo desse processo de acompanhamento integral:

“Hoje foi um dia de grande alegria e emoção. Sim, chorei, e não foi pouco. Ver você realizando essa conquista me faz sentir muito realizada. Acompanhei cada passo dessa sua trajetória, aprendendo cada palavra e descobrindo o mundo. Enquanto nós estudávamos, eles carregavam o mundo nas costas. Aprender a ler e escrever é experimentar o mundo pelo próprio olhar. Parabéns, minha querida Dijé!”.

Regina Cabral (CEO/FCAEB) junto à família da formanda Maria Helena

Educação básica como eixo de desenvolvimento integral

A formatura da primeira turma do Programa Maranhão Alfabetizado representa um avanço significativo para o território do Maracanã. Integrado às ações do projeto Voa Maracanã, o programa reforça a educação básica como eixo estruturante do desenvolvimento social, ampliando o acesso ao direito à alfabetização e contribuindo diretamente para a melhoria dos indicadores educacionais da comunidade.

Ao articular educação, território e políticas públicas, a iniciativa fortalece trajetórias interrompidas e cria condições para que jovens, adultos e idosos retomem o processo de aprendizagem, ampliem sua autonomia e acessem novas oportunidades sociais, educacionais e profissionais.

Encceja: Educação que desilha

O Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos) foi outro momento marcante dentro desse processo de ampliação do acesso à educação básica em 2025. Entre os plantões para inscrições realizados pela equipe do Voa Maracanã em abril à realização da prova pelos alunos em agosto, foram meses de dedicação, aprendizagem e acompanhamento integral da turma presencial e online. 

Carla Mendes (Especialista em Educação) falou um pouco sobre esse processo de ensino e aprendizagem dos alunos com toda a equipe:

“Cada estudante tem sido acompanhado por uma equipe de Profissionais da Educação e Monitores Pedagógicos da Formação Faculdade Integrada (FFI). O diferencial desta iniciativa é que para além do acompanhamento da turma presencial, também temos acompanhado uma turma online daqueles estudantes que querem fazer a prova, mas que não têm a possibilidade de estar presencialmente”. 

O Parque Agroecológico do Maracanã (PAM), local sede das aulas, virou território vivo de saberes e olhos atentos ao ensino. Meses de apoio presencial e online aos 30 alunos que compunham a turma preparatória para o Encceja. E o compromisso e esforço incansável da equipe de professores especialistas e monitores pedagógicos da FFI.

Para Rômulo Reis (graduando em Pedagogia), um dos monitores pedagógicos, não há preço fazer parte dessa história: “É incalculável saber que nós estamos contribuindo para transformar a vida de pessoas que estão retornando para a sala de aula depois de muito tempo e sendo preparados para fazer essa prova. Muito além de conseguir uma certificação, é estimulá-los a buscar o conhecimento novamente”.

Dulcilene Rocha, uma das alunas da turma, falou sobre o suporte profissional e ansiedade para a realização da prova: “É um reforço muito bom aqui pra nós, a equipe está com a gente. E estou ansiosa também pro dia que tá chegando. E nós estamos aqui todos confiantes, de que vamos passar. Os professores são bem competentes, tendo toda dedicação com a gente”.

O Programa Maranhão Alfabetizado

O Programa Maranhão Alfabetizado foi criado pelo Governo do Estado como uma ação direta para superar o analfabetismo de jovens com 15 anos ou mais, adultos e idosos, com o objetivo de ampliar as oportunidades educacionais adequadas à alfabetização deste recorte da população. Uma oportunidade para aqueles que não conseguiram ser alfabetizados durante a etapa do ciclo formal de educação na infância e/ou adolescência.

Ele acontece através do projeto Voa Maracanã em parceria com a Formação Faculdade Integrada (FFI).  Ele também é fruto de uma articulação com a Secretaria Estadual de Educação (SEDUC/MA) no esforço de ampliar o acesso à educação básica e melhorar os indicadores sociais do território.

Legado e continuidade

A formatura da primeira turma simboliza não apenas a conclusão de um ciclo formativo, mas o fortalecimento de uma política educacional territorializada, construída de forma coletiva e com foco na garantia de direitos. 

O Grupo Formação reafirma, com esta ação, seu compromisso histórico com a educação básica, a alfabetização de jovens e adultos e a construção de caminhos que ampliam oportunidades e transformam realidades.