A Formação Faculdade Integrada (FFI) realizou, no campus Mendes Frota em São Luís, o Seminário de Pesquisa FFI, encontro destinado à circulação de conhecimentos científicos e ao diálogo entre estudantes, docentes e pesquisadores nacionais e internacionais. A mesa reuniu Gabriel Lima (UFMA/USP), Nayra Oliveira (UFMA) e Boroka Zita Godley (McGill University), que apresentaram temas ligados à educação, tecnologia, neurociências e questões de gênero, fortalecendo a cultura acadêmica dentro da instituição.
Ao longo das apresentações, os convidados compartilharam resultados de suas pesquisas, experiências formativas e reflexões sobre a importância da investigação científica como caminho de transformação social.
Inclusão, equidade e formação docente: contribuições para a Educação Básica
O pesquisador, professor Gabriel Santos de Castro e Lima, mestre em Educação Física pela UFMA e doutorando pela USP, apresentou um recorte de sua tese intitulada “Inclusão e equidade por meio dos programas de formação continuada para professores de Educação Física das redes municipais de educação do Maranhão”.
O trabalho discute como os processos de formação docente influenciam práticas pedagógicas mais inclusivas, com impacto direto sobre a qualidade da educação no estado. Para o pesquisador, compreender as trajetórias profissionais dos professores e os desafios estruturais das redes municipais é essencial para a construção de políticas educacionais mais equitativas.

Em sua fala, Gabriel destacou a importância de aproximar estudantes universitários do universo da pesquisa:
“O que eu falei dentro desse seminário foi a respeito do meu projeto que está em execução no meu doutorado na Universidade de São Paulo (USP) e apresentei um pouco também da minha trajetória dentro do meio acadêmico: desde a graduação, especialização, mestrado e agora no doutorado e na docência.
A minha participação foi de suma importância porque fez com que os alunos se aproximassem dessa temática, entendessem a relevância da área acadêmica, dos projetos e das pesquisas em si. Essa troca de experiência foi fundamental para que eles pudessem também ressaltar as vivências que já tiveram e que pretendem ter no âmbito acadêmico.”
A apresentação reforçou o papel da pesquisa educacional como ferramenta para o fortalecimento da escola pública e para o desenvolvimento de práticas mais democráticas dentro das salas de aula.
Tecnologia, neurociências e saúde: impactos da hiperexposição às telas
A biomédica e professora Nayra Oliveira Sousa, mestra pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), trouxe ao seminário sua pesquisa intitulada “Prejuízos neurológicos e cognitivos da hiperexposição precoce e prolongada às telas” – tema que vem ganhando relevância no Brasil e no mundo devido ao aumento do uso de dispositivos digitais entre crianças, adolescentes e adultos.
A pesquisadora destacou que o uso intenso e contínuo de telas está associado a efeitos como déficit de memória, dificuldades de atenção, alterações no sono e impactos emocionais decorrentes da hiperconectividade. A investigação aproxima áreas como saúde, educação e neurociência, oferecendo subsídios para políticas públicas e práticas pedagógicas mais conscientes.

Em sua explanação, Nayra enfatizou:
“A pesquisa sobre os prejuízos neurológicos e cognitivos decorrentes da hiperexposição precoce e prolongada às telas é de extrema relevância no contexto contemporâneo.
Do ponto de vista acadêmico, ela contribui para discussões interdisciplinares e para compreender os impactos das novas tecnologias sobre o desenvolvimento cerebral e os processos de aprendizagem. Na sociedade, essa discussão é urgente, pois os efeitos da hiperconectividade afetam diretamente o bem-estar e o desempenho das novas gerações.
A relevância deste estudo ultrapassa os limites da academia: é um chamado à reflexão coletiva sobre hábitos digitais e seus reflexos no futuro cognitivo e emocional da sociedade.”
A apresentação chamou atenção pela abordagem robusta dos dados e pela importância do debate sobre o uso saudável de tecnologias digitais no cotidiano escolar.
Casamento infantil no Brasil: experiências vividas por meninas no Norte e Nordeste
Encerrando a mesa, a pesquisadora Boroka Zita Godley, doutoranda do Departamento de Estudos Integrados em Educação da McGill University (Canadá), trouxe resultados iniciais de sua investigação “Casamento e uniões infantis, precoces e/ou forçados: uma análise das experiências vividas por adolescentes do sexo feminino no Norte e Nordeste do Brasil”.
O tema é especialmente relevante no contexto brasileiro: de acordo com o UNICEF (2023), o país possui uma das maiores taxas de casamento infantil da América Latina, com 26% das meninas casando antes dos 18 anos. A Plan International (2025) classifica a prática como uma violação grave dos direitos humanos, com impactos profundos sobre educação, desenvolvimento psicossexual e autonomia.
Bori, como é conhecida no meio acadêmico, relatou que a escolha do Brasil como campo de pesquisa foi resultado de um processo aprofundado de revisão de dados:
“Durante meu levantamento de dados, encontrei artigos que falavam sobre o casamento infantil no Brasil. A taxa de 26% me surpreendeu e foi decisiva para a escolha deste cenário.
Pesquisando organizações que trabalhassem com meninas jovens, cheguei ao site do Instituto Formação. Projetos sociais como o Selo UNICEF chamaram minha atenção e contribuíram para que eu confirmasse o Brasil – especialmente o Maranhão – como centros dessa pesquisa. E o Formação tem sido importante durante todo esse processo também.”

Após a mesa, o público participou de uma visita guiada à Mostra Fotográfica montada na área externa do campus, com registros produzidos durante a etapa de campo da pesquisadora no Maranhão. A exposição apresentou imagens sensíveis que retratam o cotidiano de meninas e adolescentes afetadas pelo casamento infantil em comunidades do Norte e Nordeste. Sem expor suas identidades, os relatos em forma de desenhos ilustravam significados e sentimentos singulares e diversos em cada vivência.
Para Regina Cabral, CEO do Grupo Formação, momentos como o do Seminário de Pesquisa FFI fortalecem o acesso e desenvolvimento das produções científicas dentro da academia. Ela falou um pouco sobre a relação de parceria com a pesquisadora Bori que busca gerar novas oportunidades para toda a comunidade acadêmica:
“Estivemos em diálogos recentes com representantes da Universidade de Glasgow na Escócia nesse sentido de fortalecer parcerias e gerar novas oportunidades. O Grupo Formação sempre defende essa metodologia de conhecimento: de irmos para além dos muros da universidade, conhecendo outras realidades, não apenas como pesquisadores, mas também como profissionais e pessoas a desilhar novas vivências. E isso nos possibilita novas possibilidades e olhares”.

Espaço de formação e diálogo científico
O Seminário de Pesquisa da FFI reafirma o compromisso da instituição com a promoção de ambientes de estudo, investigação e troca de saberes entre diferentes áreas. Ao reunir pesquisadores com trajetórias diversas, o evento amplia o repertório acadêmico dos estudantes, possibilita intercâmbios entre as instituições e fortalece a construção de uma comunidade científica sensível às questões sociais contemporâneas.
Assista ao Seminário de Pesquisa FFI na íntegra:





