Além das atividades esportivas, o projeto Escola de Medição tem ampliado o acesso à cultura entre adolescentes e jovens participantes de suas ações no em São Luís do Maranhão. Na última semana, a convite da Petrobras e em parceria com o Teatro Sesc Napoleão Ewerton, 50 jovens beneficiários do Instituto Formação viveram uma tarde de imersão artística ao assistir ao espetáculo “Eu, Capitu”.
A atividade integra o eixo pedagógico do projeto, que busca fortalecer a formação integral das juventudes por meio de experiências diversificadas – incluindo arte, cultura, cidadania e reflexão crítica sobre temas sociais contemporâneos.
Um espetáculo que provoca, emociona e amplia visões
Com circulação nacional e reconhecido pela abordagem sensível e ao mesmo tempo contundente, “Eu, Capitu” é uma releitura contemporânea do clássico Dom Casmurro, de Machado de Assis, que completa 125 anos de sua primeira publicação. O texto, assinado por Carla Faour e dirigido por Miwa Yanagizawa, desloca o foco da narrativa para o olhar feminino, oferecendo novas perspectivas a uma história tradicionalmente contada por homens.
A peça acompanha Ana, uma menina prestes a entrar na adolescência que vivencia o fim do relacionamento abusivo da mãe. Com elementos simbólicos e linguagem lúdica, o espetáculo traz à cena questões urgentes da realidade brasileira, especialmente a violência contra mulheres.
De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Maranhão está entre os estados com maior número de mortes de mulheres decorrentes de violência de gênero. Apenas em 2024, o estado registrou aumento de 99,7% nos atendimentos do Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher. O dado reforça a relevância de iniciativas educativas que aprofundem discussões sobre relações abusivas, autoconsciência e direitos das mulheres.
Para a dramaturga Carla Faour, era essencial tratar o tema de maneira sensível: “Se o assunto é duro e pesado, eu queria falar de forma doce e lúdica, com um universo simbólico e metafórico”.
A diretora Miwa Yanagizawa destaca que a obra convida o público a refletir sobre diferentes pontos de vista: “Interessa-nos instigar o olhar da plateia, convidá-la a imaginar outras possibilidades narrativas, tomar consciência das coisas se valendo de mais de uma perspectiva”.
Idealizado pelo produtor Felipe Valle, o espetáculo nasceu de uma experiência pessoal marcada pela sensação de impotência diante de um caso de violência doméstica. A partir disso, Valle revisitou Dom Casmurro e decidiu construir uma história que amplificasse o protagonismo das mulheres: “São as mulheres que vão dar vida a esta história tão atual, eterna, cheia de nuances e simbolismos.”
Vivências que transformam: impressões dos jovens
Para muitos dos jovens presentes, essa foi a primeira vivência no teatro: um marco que ampliou repertórios e despertou novas percepções.
A jovem Geissa Suellen Macêdo de Araújo, do curso técnico em Produção Cultural, descreveu a experiência como transformadora:
“Foi uma experiência incrível, todo jovem deveria ter essa oportunidade. Antes eu pensava que teatro era só um lugar aberto com peças. Agora eu tenho outro olhar. Cada conhecimento que tive vou levar pra vida. A peça tem um sentido muito importante e foi impactante pra mim”.

Já Maiza Cristina Sousa Belfort do Livramento, estudante de Pedagogia, destacou a força da mensagem trazida pelo espetáculo:
“A peça mostra o que muitas mulheres vivenciam: a violência dentro de casa e os relacionamentos abusivos. Aprendi também sobre a importância de questionar e buscar a verdade. Foi uma experiência enriquecedora”.

Impacto pedagógico e sensibilidade social
Para Dulciana de Melo Coelho, coordenadora da agenda do Escola de Mediação em São Luís, a atividade teve efeito profundo entre os participantes:
“As beneficiárias ficaram encantadas e muito emocionadas. Para algumas, foi a primeira vez no teatro e a primeira vez vendo um tema tão importante e realista retratado no palco. Muitas se recordaram de experiências pessoais. Foi uma vivência forte, mas necessária”.
Ela também ressaltou a importância de presenciar a reação das jovens durante o espetáculo:
“Foi uma honra assistir tudo de perto. Ao mesmo tempo que foi bonito, foi triste ver mulheres se identificando com a temática. Mas a peça tratou o assunto de forma direta, simbólica e muito explicada. Saí grata por essa oportunidade”.
Cultura como ferramenta de formação
A presença dos jovens no espetáculo reforça o compromisso do Instituto Formação em garantir que adolescentes e jovens de diferentes territórios maranhenses tenham acesso a bens culturais e possam construir novas referências sobre si, sobre o mundo e sobre suas possibilidades de futuro.
A iniciativa faz parte da linha de atuação do Escola de Mediação, que integra esporte, cidadania, cultura e formação crítica: aspectos que também consolidam o projeto como um espaço de desenvolvimento integral e de valorização das juventudes.






