O projeto Escola de Mediação segue ampliando seu alcance territorial e social na região Norte do país. Desta vez, a iniciativa chegou à comunidade indígena Kariá, em Oiapoque (AP), fortalecendo o acesso ao esporte, à formação cidadã e a oportunidades de desenvolvimento para crianças e adolescentes que vivem em territórios tradicionais.
Na Escola Manoel dos Santos – que leva o nome do primeiro cacique da aldeia fundada há mais de 60 anos – 22 estudantes passaram a integrar as atividades do projeto. Localizada a 90 km da sede do município e composta por aproximadamente 45 famílias, a comunidade mantém viva sua cultura e tradições ancestrais. A chegada do Escola de Mediação se soma a esse esforço coletivo de preservação, respeitando o modo de vida local e atuando em parceria com lideranças e educadores do território.
Interculturalidade na infância: encontro entre aldeias fortalece saberes tradicionais
A equipe do projeto também esteve em ação intercultural realizada na aldeia Benoá que reuniu escolas de cinco comunidades indígenas da região. O convite foi feito pela Secretaria Municipal de Educação (SEMED) e pela diretora Aline, responsável pelo núcleo das escolas indígenas.
O encontro teve como tema “Interculturalidade na Infância: Eu, o Outro e Nós”, promovendo vivências de trocas culturais e pedagógicas entre professores, estudantes e convidados. O Escola de Mediação participou tanto das práticas esportivas pedagógicas, quanto das atividades culturais que integraram o evento.
As equipes relataram:
“Nós, do projeto Escola de Mediação, fomos convidados pela SEMED e pela diretora Aline, responsável pelas escolas indígenas, para participar de um evento na aldeia Benoá celebrando a interculturalidade.
Estivemos presentes junto a cinco aldeias indígenas e suas escolas, participando de práticas esportivas como arco e flecha, cabo de guerra e também apresentações culturais. Foi um momento de muita riqueza, aprendizado e cultura, e somos imensamente gratos pelo convite”.
As práticas tradicionais, como o arco e flecha e as celebrações comunitárias, reforçaram a importância do esporte como linguagem que conecta diferentes mundos e gera espaços seguros de convivência entre infâncias e culturas diversas.
Escola de Mediação: relevância social, territorial e cultural nas comunidades indígenas
A presença do Escola de Mediação em comunidades como a Kariá e Benoá expressa uma dimensão fundamental do projeto: a atuação para além da prática esportiva, compreendendo o esporte como ferramenta de transformação social, fortalecimento identitário e promoção de equidade.
Entre os impactos mais relevantes para territórios indígenas, destacam-se:
• Valorização dos saberes tradicionais e respeito às culturas originárias
O projeto atua de maneira integrada ao cotidiano das aldeias, reconhecendo a centralidade das lideranças, professores e rituais nas dinâmicas comunitárias. As atividades esportivas e formativas são adaptadas ao contexto local, promovendo diálogo entre práticas contemporâneas e tradições preservadas há gerações.
• Ampliação de oportunidades educacionais e de formação cidadã
Para estudantes que vivem em áreas de difícil acesso, iniciativas como o Escola de Medição representam novas possibilidades de aprendizado, convivência e desenvolvimento. A vivência esportiva é tratada como ferramenta pedagógica que contribui para autonomia, disciplina, tomada de decisão e fortalecimento coletivo – especialmente importante em comunidades que enfrentam desigualdades históricas.
• Contribuição para políticas de equidade nos territórios
A presença do projeto em áreas remotas reforça políticas públicas que buscam reduzir desigualdades territoriais. Em comunidades como Kariá, a distância de 90 km do centro urbano faz com que o acesso a equipamentos de esporte, lazer e formação seja mais limitado. A ação contribui para preencher essas lacunas, sempre em diálogo com a identidade cultural dos povos originários.
• Interculturalidade como valor central
Participar de um evento que reúne múltiplas aldeias, cada uma com sua língua, práticas e tradições, fortalece a compreensão de infância indígena como plural e diversa. O Escola de Mediação se integra nesse processo promovendo respeito, aprendizagem mútua e convivência entre universos culturais distintos.
Caminhos que se abrem
A chegada do projeto às comunidades Kariá e Bwnoá marca um passo importante para a expansão da iniciativa no Oiapoque e reforça o compromisso do Escola de Mediação em atuar com responsabilidade social, respeito cultural e foco no desenvolvimento integral das juventudes amazônicas.
O trabalho conjunto entre escolas indígenas, SEMED, famílias e profissionais do projeto evidencia que o esporte e a educação podem ser caminhos potentes de fortalecimento das identidades e de promoção de direitos, sobretudo em territórios que carregam histórias, memórias e lutas ancestrais.





