Jovens do município de Santa Rita (MA) participaram de uma vivência cultural e acadêmica conduzida pela pesquisadora escocesa Boroka Zita Godley (McGill University). O CRAS Margarida de França – localizado na Comunidade de Pedreiras – foi o cenário desse intercâmbio vivo.
O momento contou com apresentações iniciais e dinâmicas para que as jovens pudessem se sentir mais à vontade. Vivências, universidade, experiências internacionais e muita curiosidade compuseram as trocas da pesquisadora Bori junto às jovens.
Em um espaço reservado, preservando a identidade e privacidade das jovens, a vivência foi conduzida do começo ao fim de forma sensível, dinâmica, fluída e atenta. Uma forma de trazer a temática para a roda de conversa com mais leveza, mas sem perder de vista a responsabilidade social e o compromisso ético acadêmico.
Para Bori, foi um momento muito enriquecedor, de trocas com as jovens e possibilidade de ampliar a aplicação da sua pesquisa de doutorado em território maranhense a partir de uma tema tão relevante:
“A roda de conversa foi importante para compreendermos as experiências e opiniões dela sobre a temática. Também tivemos trocas para além da pesquisa que foram muito interessantes e bonitas pra mim nessa primeira vez ao Brasil, Maranhão. Elas gostaram muito da experiência de desenhar e falar em grupo, e também de repensar o tema que normalmente não é abordado entre as famílias”.
A vivência contou ainda com uma imersão pelo espaço, guiada pela coordenadora geral Iorlane Guimarães que falou mais sobre o CRAS Margarida de França e as diversas atividades que acontecem ao longo do mês. Para ela, foi um momento muito importante receber o Instituto Formação junto à pesquisadora Bori e possibilitar essa experiência de intercâmbios para as jovens da comunidade.

Sobre a pesquisa
Boroka Zita Godley é doutoranda do Departamento de Estudos Integrados em Educação da McGill University (Canadá) e tem como tema de sua pesquisa: “Casamento e uniões infantis, precoces e/ou forçados: uma análise das experiências vividas por adolescentes do sexo feminino no Norte e Nordeste do Brasil”.
O tema é especialmente relevante no contexto brasileiro: de acordo com o UNICEF (2023), o país possui uma das maiores taxas de casamento infantil da América Latina, com 26% das meninas casando antes dos 18 anos. A Plan International (2025) classifica a prática como uma violação grave dos direitos humanos, com impactos profundos sobre educação, desenvolvimento psicossexual e autonomia.
Bori, como é conhecida no meio acadêmico, relatou que a escolha do Brasil como campo de pesquisa foi resultado de um processo aprofundado de revisão de dados:
“Durante meu levantamento de dados, encontrei artigos que falavam sobre o casamento infantil no Brasil. A taxa de 26% me surpreendeu e foi decisiva para a escolha deste cenário”.






